Bibliografia

1)      BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia Grega. 18. ed. Petrópolis: Vozes, 1991. 2 v.

2)      BULFINCH, Thomas. O livro de ouro da Mitologia: (a idade da fábula) História de Deuses e Heróis. Trad. David Jardim Jr. 11. ed. Rio de Janeiro: Ediouro, 2001.

3)      ELIADE, Mircea; COULIANO, Loan P. Dicionário de religiões. Trad. Ivone Castilho Benedetti. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

4)      HESÍODO. Teogonia: a origem dos deuses. São Paulo: Iluminuras, 2006 (Biblioteca Pólen)

5)      GUIMARÃES, Ruth. Dicionário da Mitologia Grega. São Paulo: Cultrix, s/d.

6)      MAGALHÃES, Roberto Carvalho de. O Grande livro da Mitologia nas Artes Visuais. Rio de janeiro: Ediouro, 2007.

7)      PESSANHA, José Américo Motta (org.) Mitologia. 2. ed. São Paulo: Abril Cultural, 1976.

Anúncios

Medusa – uma das Górgonas

Perseu tornou-se rapidamente um jovem esbelto, alto e destemido, segundo convém a um herói.

Polidectes, apaixonado por Dânae, nada podia fazer, uma vez que o jovem príncipe mantinha guarda cerrada em torno da mãe e o rei não queria ou não ousava apossar-se dela pela violência.

Certa feita, Polidectes convidou um grande número de amigos, inclusive Perseu, para um jantar, e perguntou qual o presente que os amigos desejavam oferecer-lhe. Todos responderiam que um cavalo seria o único presente digno de um rei.

Perseu, no entanto, respondeu que, se Polidectes o desejasse, ele lhe traria a cabeça de Medusa.

Na manhã seguinte, todos os príncipes ofereceram um cavalo ao tirano, menos o filho de Dânae, que nada ofertou.

Medusa

O rei, que há muito suspirava por Dânae e, vendo em Perseu um obstáculo, ordenou-lhe que fosse buscar a cabeça da Górgona, sem o que ele lhe violentaria a mãe.

Para evitar ou ao menos refrear os “desmandos heróicos” e sobretudo para dar-lhe respaldo na execução de tarefas impossíveis, todo herói conta com o auxílio divino.

Perseu terá por coadjutores celestes, Hermes e Atena, que lhe fornecerão os meios necessários para que leve a bom termo a promessa imprudente feita a Polidectes.

As Gréias

Conforme o conselho dessas divindades, o filho de Dânae deveria procurar primeiro as fórcias, as três filhas de Fórcis, divindade marinha. Esses três monstros denominavam-se também Gréias, as quais, já haviam nascido velhas. Chamavam-se: Enio, Pefredo e Dino, que possuíam em comum apenas um olho e um dente.

O caminho para chegar até elas não era fácil, pois habitavam o extremo ocidente, no país da noite, onde jamais chegava um só raio de sol. Mas era imprescindível que Perseu descesse ao país das sombras eternas, porquanto somente as Gréias conheciam a rota que levava ao esconderijo das Górgonas e tinham a imcumbência de barrar a quem quer que fosse.

Mais importante ainda: eram as únicas a saber onde se escondiam as misteriosas ninfas que guardavam determinados objetos indispensáveis ao herói no cumprimento de sua missão.

Ajudado por Hermes, o deus que não se perde no caminho, e pela inteligência de Atena, que espanca as trevas, Perseu logrou chegar à habitação das Gréias, que, por disporem de um só olho, montavam guarda em turnos, estando duas sempre dormindo.

O herói se colocou atrás da que, no momento, estava de vigília e, num gesto rápido, arrebatou-lhe o único olho, prometendo devolvê-lo caso a Gréia lhe informasse como chegar às misteriosas ninfas.

Estas sem a menor resistência ou dificuldade, entregaram-lhe o que, segundo um oráculo, era indispensável para matar a Górgona: sandálias com asas, uma espécie de alforje denominado quíbisis, para guardar a cabeça de Medusa e o capacete de Hades, que tornava invisível a quem o usasse.

As ninfas calçam em Perseu as sandálias com asas

O próprio Hermes lhe deu uma afiada espada de aço e Atena emprestou-lhe seu escudo de bronze, polido como um espelho.

O herói dirigiu-se para o esconderijo das Górgonas, tendo-as encontrado em sono profundo.

Eram três as denominadas Górgonas, mas só a primeira, era a Medusa. Estes três monstros tinham a cabeça aureolada de serpentes venenosas, presas de javali, mãos de bronze e asas de ouro e petrificavam a quem as olhasse.

Não podendo, por isso mesmo, fixar Medusa, Perseu pairou acima das três Górgonas adormecidas, graças às sandálias aladas; refletiu o rosto de Medusa no polido escudo de Atena e, com a espada que lhe deu Hermes, decapitou-a.

A górgona Medusa - Rubens

Pégaso

Do pescoço ensanguentado do monstro nasceram o cavalo alado Pégaso e o gigante Crisaor, filhos de Poseídon, que foi o único deus a se aproximar das Górgonas e ainda manter um comércio amoroso com Medusa.

cabeça de Medusa - Caravaggio

Posteriormente, a cabeça do monstro foi colocada, no escudo de Atena e assim a deusa petrificava a quantos inimigos ousassem olhar parar ela.

Circe

Relata-nos Homero que, tendo chegado a esta ilha fabulosa, residência da feiticeira Circe, filha de Hélio e Perseida e irmã do valente Eetes, Ulisses enviou vinte e três de seus argonautas para explorarem o lugar.

Tendo eles chegado ao palácio deslumbrante da maga, esta os recebeu cordialmente; fê-los sentar-se e preparou-lhes uma poção.

Depois, tocando-os com uma varinha mágica, transformou-os em animais “semelhantes a porcos”.

Escapou do encantamento apenas Euríloco que, prudentemente, não penetrara no palácio da bruxa.

tocando-os com uma varinha mágica, transformou-os em animais "semelhantes a porcos"

Sabedor do triste acontecimento, o herói pôs-se imediatamente a caminho em busca de seus nautas.

Quando já se aproximava do palácio, apareceu-lhe Hermes, sob a forma de belo adolescente, e ensinou-lhe o segredo para escapar de Circe: deu-lhe a planta mágica móli que deveria ser colocada na beberagem venenosa que lhe seria apresentada.

Penetrando no palácio, a bruxa ofereceu-lhe logo a bebida e tocou-o com a varinha.

a bruxa ofereceu-lhe logo a bebida e tocou-o com a varinha

Assim, quando a feiticeira lhe disse toda confiante:

– Vai agora deitar com os outros companheiros na pocilga.

Grande foi a surpresa, ao ver que a magia não surtira efeito.

De espada em puho, como lhe aconselhara Hermes, o herói exigiu a devolução dos companheiros e acabou, ainda, usufruindo, por um ano, da hospitalidade e do amor da mágica.

Diga-se logo que desses amores, conforme a tradição, nasceram Telégono e Nausítoo.

Afinal, após um ano de ociosidade, Ulisses partiu.  Não em direção a Ítaca, mas à outra vida, ao mundo ctônio.

Todo grande herói, não pode completar sua saga, sem uma descida real ou simbólica, ao mundo das sombras.

Circe

Foi a conselho de Circe que Ulisses, para ter o restante de seu itinerário e o fecho de sua própria vida, traçados pelo advinho ceto Tirésias, navegou para os confins do Oceano:

– Ali está a terra e a cidade dos Cimérios, cobertas pela bruma e pelas nuvens: jamais recebem um único raio de sol brilhante.

A descida do rei de Ítaca foi simbólica. Ele não desceu à outra vida, ao Hades.

Deixando a nau junto aos bosques consagrados a Perséfone e, portanto, à beira-mar, andou um pouco para abrir um fosso e vazar sobre ele as libações e os sacrifícios rituais ordenados pela maga.

Tão logo o sangue das vítimas negras penetrou no fosso, os corpos astrais, recompostos, temporariamente, vieram à tona:

– …o sangue negro corria e logo as almas dos mortos, subindo do Hades, se ajuntaram.

Ulisses e Tirésias

O herói pôde, assim, ver e dialogar com muitas sombras, particularmente, com Tirésias, que lhe vaticinou um longo e penoso caminho de volta e uma morte tranquila, longe  do mar e em idade avançada.

De volta, ainda uma pequena permanência na ilha de Eéia e, após ouvir atento e aterrorizado as informações precisas de Circe acerca das sereias, dos monstros Cila e Caribdes e da proibição de se comerem as vacas e ovelhas de Hélio na ilha Trinácria, o esposo de Penélope partiu para novas aventuras, que vão arrastá-lo na direção do oeste.

Cérbero

cerberusO trabalho imposto por Euristeu, foi a ida ao mundo dos mortos, para de lá trazer Cérbero, cão de três cabeças, cauda de dragão, pescoço e dorso eriçados de serpentes, guardião inexorável do reino de Hades. Impedia que lá penetrassem os vivos e, quando isto acontecia, não lhes permitia a saída, a não ser com ordem expressa de Hades.

Jamais Hércules teria podido realizar semelhante proeza, se não tivesse contado, por ordem de Zeus, com o auxílio de Hermes e Atena, quer dizer, com o concurso do quem não erra o caminho e da que ilumina as trevas.

Pessoalmente, o herói se preparou, fazendo-se iniciar nos Mistérios de Elêusis, que, entre outras coisas, ensinavam como se chegar com segurança à outra vida.

Segundo a tradição, o herói desceu pelo cabo Tênaro, na Lacônia, uma das entradas clássicas que dava acesso direto ao mundo dos mortos.

Vendo-o chegar ao Hades, os mortos fugiram espavoridos, permanecendo onde estavam, apenas, Medusa e Meléagro.

Contra a primeira o herói puxou a espada, mas Hermes o advertiu de que se tratava apenas de uma sombra vã. 

Contra o segundo, Hércules retesou o arco, mas o desventurado Meléagro contou-lhe de maneira tão comovente seus derradeiros momentos na terra, que o filho de Alcmena se emocionou até as lágrimas: poupou-lhe e ainda prometeu que, no retorno, lhe desposaria a irmã Dejanira.

Héracles não foi só o maior dos heróis, mas igualmente o mais humano de todos eles.  Mais uma vez o encontramos penalizado com a sorte alheia: vendo que no Hades os mortos eram apenas fantasmas, resolveu reanimá-los, mesmo que fosse por alguns instantes.  Para tanto, tendo que fazer libações sangrentas aos mortos, imaginou sacrificar algumas reses do rebanho de Hades.  Como o pastor Manetes quisesse impedi-lo até mesmo de se aproximar dos animais, o herói o apertou em seus braços possantes, quebrando-lhes várias costelas.

Finalmente Héracles chegou diante de Hades e, sem mais, pediu-lhe para levar Cérbero para Micenas.

Hades concordou, desde que o herói não usasse contra o monstro, de suas armas convencionais, mas o capturasse sem feri-lo, revestido apenas de sua couraça e da pele do Leão de Neméia.

hercules02heracles07Hércules agarrou-se com Cérbero e, quase sufocado, o guardião do reino dos mortos perdeu as forças e aquietou-se.

Subindo com sua presa, dirigiu-se para Micenas.  Vendo Cérbero, Euristeu refugiou-se em uma talha de bronze.  Não sabendo o que fazer com o monstro infernal, Hércules o levou de volta a Hades.

A respeito da descida de Hércules ao Hades, sabe-se que esta configura o supremo rito iniciático: a morte simbólica, a condição indispensável para uma subida, uma escalada definitiva na busca do autoconhecimento, da transformação do que resta ao homem velho no homem novo.

A viagem subterrânea, durante a qual os encontros com os monstros míticos configuram as provações de um processo iniciático, era, na realidade, um reconhecimento de si mesmo, uma rejeição dos resíduos psíquicos inibidores, consoante a inscrição gravada no pórtico do templo de Delfos: Conhece-te a ti mesmo.

HerculesCerberusBeham

HÉRCULES

Hércules ou Héracles

Hércules ou Héracles

Alcmena, sozinha, pensa no marido, Anfitrião, que agora guerreia.  Neste momento, cheia de saudade, entende que a única coisa realmente importante é a presença do esposo.

Uma sombra cresce do lado de fora da casa.  Assustada, a jovem observa os movimentos de um homem que se aproxima.  Duas mãos enormes abrem a janela.  Alcmena grita.  Quando, porém, vê o rosto do recém-chegado, suspira aliviada.  É Anfitrião que volta do combate, com um sorriso nos lábios, imenso carinho nos olhos, e muitas estórias de guerra para contar.

Ao vê-lo entrar, a mulher desconfia, sem entender a razão:  o visitante tem a voz e o rosto de seu esposo, mas não lhe parece que seja realmente ele.  Alcmena sufoca a desconfiança e entrega-se ao marido.  Só mais tarde entenderia sua vaga suspeita.  O visitante daquela noite não era Anfitrião: era Zeus, o rei dos deuses, que, apaixonado pela mortal, tomara as feições do esposo ausente para poder introduzir-se em sua casa. 

Foi no meio dessa mentira forjada por Zeus que Alcmena gerou Hércules.

Anfitrião casara-se com sua prima Alcmena.  Mas tendo, involuntariamente, causado a morte de seu sogro, foi banido por seu tio o rei de Argos, e de quem dependia o reino de Micenas. Expulso, pois, de Micenas, Anfitrião, em companhia da esposa, refugiou-se em Tebas, onde foi purificado pelo rei Creonte.

Como Alcmena se recusasse a consumar o matrimônio, enquanto o marido não lhe vingasse os irmãos, mortos pelos filhos de Ptérela, Anfitrião, obtida a aliança dos tebanos e com contigentes provindos de várias regiões da Grécia, invadiu a ilha de Tafos, onde reinava Ptérela.

A vitória de Anfitrião foi esmagadora.

Carregado de despojos, Anfitrião se apressou para regressar a Tebas, com o objetivo de fazer Alcmena sua mulher.

Pois bem, foi durante a ausência de Anfitrião que Zeus, desejando dar ao mundo um herói como jamais houvera outro e que libertasse os homens de tantos monstros, escolheu a mais bela das habitantes de Tebas para ser mãe de criatura tão privilegiada.

Sabedor, porém, da fidelidade absoluta da princesa micênica, travestiu-se de Anfitrião, trazendo-lhe, inclusive, de presente, a taça de ouro onde bebia o rei Ptérela e, para que nenhuma desconfiança pudesse ainda, porventura, existir no espírito da esposa, narrou-lhe, longamente, os incidentes da campanha.

Foram três noites de um amor ardente, porque, durante três dias, Apolo, por ordem do pai dos deuses e dos homens, deixou de percorrer o céu com seu carro de chamas.

Ao regressar, logo após a partida de Zeus, Anfitrião ficou muito surpreso com a acolhida tranqüila e serena da esposa e ela também muito se admirou de que o marido houvesse esquecido tão depressa a grande batalha de amor travada até a noite anterior em Tebas.

Mais espantado e, dessa feita, confuso e nervoso ficou o general tebano, quando, ao narrar-lhe os episódios da luta contra Ptérela, verificou que a esposa os conhecia tão bem ou melhor que ele.

Consultado, o adivinho Tirésias revelou a ambos o adultério de Alcmena e o astucioso estratagema de Zeus.

Afinal, a primeira noite de núpcias compete ao deus e é, por isso, que o primogênito nunca pertence aos pais, mas a seu padrinho.

Mas Anfitrião, que esperara tanto tempo por sua lua de mel, se esquecera de tudo isto e, louco de raiva e de ciúmes, resolveu castigar Alcmena, queimando-a viva numa pira.

Zeus, todavia, não o permitiu e fez descer do céu uma chuva repentina e abundante, que, de imediato, extinguiu as chamas da fogueira de Anfitrião.

Diante de tão grande prodígio, o general desistiu de seu intento e acendeu outra fogueira, mas de amor, numa longa noite de ternura com a esposa.

Com tantas noites de amor, Alcmena concebeu dois filhos: um de Zeus, Hércules; outro de Anfitrião, Íficles.

Acontece que Zeus, imprudentemente, deixara escapar que seu filho reinaria em Argos. De imediato, a ira e o ciúme de Hera, que jamais deixou em paz as amantes e os filhos adulterinos de seu esposo Zeus, começaram a manifestar-se.

Ordenou a Ilítia, deusa dos partos, que retardasse o mais possível o nascimento de Hércules e apressasse o de Euristeu, primo de Alcides, porquanto era filho de Estênelo. Nascendo primeiro, o primo do filho de Alcmena seria automaticamente o herdeiro de Micenas.

Foi assim que Euristeu veio ao mundo com sete meses e Hércules com dez!

Fazia-se necessário, iniciar urgentemente a imortalidade do herói. Zeus arquitetou um estratagema, cuja execução, como sempre, ficou aos cuidados de Hermes: era preciso fazer o herói sugar, mesmo que fosse por instantes, o seio divino de Hera.

O famoso Trimegisto conseguiu mais uma vez realizar uma façanha impossível.

Quando a deusa adormeceu, Hermes colocou o menino sobre os seios divinos da imortal esposa de Zeus. Hera despertou sobressaltada e repeliu Hércules com gesto tão brusco, que o leite divino espirrou no céu e formou a Via Láctea!

Atena o recolheu e levou de volta a Alcmena, garantido-lhe que podia criar o filho sem temor algum. De qualquer forma, o vírus da imortalidade se inoculara no filho de Zeus e Alcmena. Mas o ódio de Hera sempre teve pernas compridas.

Hércules e as serpentes – afresco encontrado em Pompéia

Hércules e as serpentes – afresco encontrado em Pompéia

Quando o herói contava apenas oito meses, a deusa enviou contra ele duas gigantescas serpentes. Íficles, apavorado, começou a gritar, mas Hércules, tranquilamente, se levantou do berço em que dormia, agarrou as duas víboras, uma em cada mão, e as matou por estrangulamento.

Anfitrião, que acorrera de espada em punho, ao ver o prodígio, acreditou, finalmente, na origem divina do filho. E o velho Tirésias, mais uma vez explicou o destino, que aguardava o herói.

A educação de Hércules, projeção da que recebiam jovens gregos da época clássica, começou em casa. Seu primeiro grande mestre foi o general Anfitrião, que o adestrou na difícil arte de conduzir bigas. Lino foi seu primeiro professor de música e de letras, mas enquanto seu irmão Íficles se comportava com atenção e docilidade, o herói já desde muito cedo dava mostra de sua indisciplina e descontrole.

Num dia, chamado à atenção pelo grande músico, Hércules, num assomo de raiva, pegou um tamborete, outros dizem que uma lira, e deu-lhe uma pancada tão violenta, que o mestre foi acordar no Hades.

Acusado de homicídio, o jovem defendeu-se, citando um conceito implacável ao juiz dos mortos, Radamanto, segundo o qual tinha-se o direito de matar o adversário, em caso de legítima defesa.

Hércules foi absolvido.

Em seguida, vieram outros preceptores: Eumolpo prosseguiu com o ensino da música; Êurito, rei de Ecália, ensinou-lhe o manejo do arco, e, por fim, Castor o exercitou no uso das demais armas. Hércules, porém, sempre se portou como um indisciplinado, temperamental e incorrigível, a ponto de, temendo pela vida dos mestres, Anfitrião o mandou para o campo, com a missão de cuidar do rebanho.

herkulesEnquanto isso, o herói crescia desproporcionalmente. Aos dezoito anos, sua altura chegava a três metros!

E foi exatamente aos dezoito anos que Hércules realizou sua primeira grande façanha, a caça e a morte do leão do monte Citerão.

Este animal, de porte fora do comum e de tanta ferocidade, estava causando grandes estragos nos rebanhos de Anfitrião e do rei Téspio, cujas terras eram vizinhas das de Tebas. Como nenhum caçador se atrevesse a enfrentar o monstro, Hércules se dispôs a fazê-lo, transferindo-se, temporariamente, para o reino de Téspio. A caçada ao leão durou cinquenta dias, porque, quando o sol se punha, o caçador retornava para dormir no palácio. Exatamente no quinquagésimo dia, o herói conseguiu sua primeira grande vitória.

Acontece, porém que Téspio pai de cinquenta filhas, e desejando que cada uma tivesse um filho de Héracles, entregava-lhe uma por noite e foi assim que, durante cinquenta dias, o herói fecundou as cinquenta jovens, de que nasceram as tespíades.

Foi Hércules o mais célebre dos heróis da Mitologia greco-romana, símbolo do homem em luta com forças da natureza.

Ao retornar do reino de Téspio, Hércules encontrou nas vizinhanças de Tebas, os delgados do rei de Orcômeno, Ergino, que vinham cobrar o tributo anual de cem bois, que Tebas pagava a Orcômeno, como indenização de Guerra.

Após ultrajá-los, o herói cortou-lhes as orelhas e o nariz e, pendurando-os ao prescoço de cada um, os enviou de volta, dizendo-lhs ser este o pagamento do tributo.  Indignado, Ergino, com um grande exército, marchou contra Tebas. Hércules desviou o curso de um rio e afogou na planície a cavalaria inimiga. Perseguiu, em seguida, a Ergino e o matou a flechadas. Antes de retirar-se com os soldados tebanos, impôs a Orcômeno o dobro do tributo que lhes era pago por Tebas. Foi nesta guerra que morreu Anfitrião, lutando bravamente ao lado do filho.

O rei Creonte, grato por tudo quanto o filho de Alcmena fizera por Tebas, deu-lhe em casamento sua filha primogênita Mégara, enquanto a caçula se casava com Íficles. De Hércules e Mégara nasceram oito filhos machos.

HerculesZurbaranHera, porém, preparou tranquilamente a grande vingança. Como protetora dos amantes legítimos, não poderia perdoar ao marido seu derradeiro adultério, ao menos no mito, sobretudo quando Zeus tentou dar a essa união ilegítima com Alcmena o signo da legitimidade, fazendo o menino sugar o leite imortal da esposa.

Foi assim que, a deusa lançou contra Hércules a raiva, o furor, que de mãos dadas com a demência, enlouqueceu por completo o herói. Num acesso de insânia, ei-lo matando a flechadas ou lançando ao fogo os próprios filhos. Terminado o morticínio dos seus, investiu contra os de Íficles, massacrando os dois. Sobraram dessa loucura, apenas Mégara, salva pela ação rápida de Íficles.

Introdução do desenho animado: Hércules

Filme muito antigo: Hercules, com o Mr. America e Mr. Universe Steve Reeves

Correlação dos nomes gregos e romanos dos deuses do Olimpo

Gregos

Romanos

Atuação

Afrodite Vênus deusa da Beleza e do Amor
Ares Marte deus da Guerra
Ártemis Diana deusa da Lua, da Caça e das Ninfas
Atena Minerva deusa da Sabedoria e da Guerra Defensiva
Cronos Saturno deus Titã do Tempo
Deméter Ceres deusa da Agricultura
Dionísio Baco deus do Vinho
Eros Cupido deus do Amor
Hefesto Vulcano deus Ferreiro e Artesão
Hera Juno Rainha dos deuses
Hermes Mercúrio Mensageiro dos deuses
Odisseus Ulisses Herói grego
Poseidon Netuno deus do Mar; das profundezas
Hades Plutão Deus do mundo inferior
Zeus Júpiter deus dos deuses;