A Hidra de Lerna

hidra1A Hidra de Lerna era uma serpente, com corpo de cachorro, com nove cabeças (uma das quais era parcialmente de ouro e imortal), que se reproduziam mal eram cortadas e exalavam um vapor que eliminava quem se encontrasse nas redondezas: homens, colheitas e rebanhos.

Segundo a tradição, o monstro fora criado num pântano, por Hera para que acabasse com Hércules e este acabou com a hidra cortando-lhe as cabeças enquanto o seu sobrinho Iolau impedia a sua reprodução cauterizando as feridas do animal com tições em brasa, vindos do incêndio que ele havia provocado numa floresta próxima.

Hera enviou ajuda à serpente, um enorme caranguejo, mas Hércules pisou-o e o animal converteu-se na constelação de Caranguejo (ou Câncer).

heracles02A cabeça do meio era imortal, mas o filho de Alcmena a decepou assim mesmo: enterrou-a e colocou-lhe por cima de um enorme rochedo.  Por fim, o herói banhou as suas flechas com o sangue da serpente de maneira a que ficassem envenenadas.

A interpretação do mito é de que se trata de um rito aquático. A hidra com as cabeças, que renasciam, seria, na realidade, o pântano de Lerna, drenado pelo herói. As cabeças seriam as nascentes, que, enquanto não fossem estancadas, tornariam inútil qualquer drenagem.

A venenosa serpente aquática, dotada de muitas cabeças, é frequentemente comparada com os deltas dos rios, com seus inúmeros braços, cheias e baixas.

Vivendo nos pântano, a Hidra é mais especificamente caracterizada como símbolo dos vícios banais, nos quais se prolonga o corpo da perversão, a vaidade. Enquanto o monstro vive, enquanto a vaidade não é dominada, as cabeças, configuração dos vícios, renascem, mesmo que, por uma vitória passageira, se consiga cortar uma ou outra.

O Sangue da Hidra é uma veneno e nele o herói mergulhou suas flechas. Quando a peçonha se mistura às águas dos rios, os peixes não podem ser consumidos, o que confirma a interpretação simbólica: tudo quanto tem contato com os vícios, ou deles procede, se corrompe e corrompe.

Para vencer o monstro, Hércules usa a espada, arma de combate espiritual, conjugada ao archote, que cauteriza as feridas, a fim de que, uma vez cortadas, as cabeças não mais possam renascer. O archote simboliza a purificação sublime.

HydraZurbaran

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