Cérbero

cerberusO trabalho imposto por Euristeu, foi a ida ao mundo dos mortos, para de lá trazer Cérbero, cão de três cabeças, cauda de dragão, pescoço e dorso eriçados de serpentes, guardião inexorável do reino de Hades. Impedia que lá penetrassem os vivos e, quando isto acontecia, não lhes permitia a saída, a não ser com ordem expressa de Hades.

Jamais Hércules teria podido realizar semelhante proeza, se não tivesse contado, por ordem de Zeus, com o auxílio de Hermes e Atena, quer dizer, com o concurso do quem não erra o caminho e da que ilumina as trevas.

Pessoalmente, o herói se preparou, fazendo-se iniciar nos Mistérios de Elêusis, que, entre outras coisas, ensinavam como se chegar com segurança à outra vida.

Segundo a tradição, o herói desceu pelo cabo Tênaro, na Lacônia, uma das entradas clássicas que dava acesso direto ao mundo dos mortos.

Vendo-o chegar ao Hades, os mortos fugiram espavoridos, permanecendo onde estavam, apenas, Medusa e Meléagro.

Contra a primeira o herói puxou a espada, mas Hermes o advertiu de que se tratava apenas de uma sombra vã. 

Contra o segundo, Hércules retesou o arco, mas o desventurado Meléagro contou-lhe de maneira tão comovente seus derradeiros momentos na terra, que o filho de Alcmena se emocionou até as lágrimas: poupou-lhe e ainda prometeu que, no retorno, lhe desposaria a irmã Dejanira.

Héracles não foi só o maior dos heróis, mas igualmente o mais humano de todos eles.  Mais uma vez o encontramos penalizado com a sorte alheia: vendo que no Hades os mortos eram apenas fantasmas, resolveu reanimá-los, mesmo que fosse por alguns instantes.  Para tanto, tendo que fazer libações sangrentas aos mortos, imaginou sacrificar algumas reses do rebanho de Hades.  Como o pastor Manetes quisesse impedi-lo até mesmo de se aproximar dos animais, o herói o apertou em seus braços possantes, quebrando-lhes várias costelas.

Finalmente Héracles chegou diante de Hades e, sem mais, pediu-lhe para levar Cérbero para Micenas.

Hades concordou, desde que o herói não usasse contra o monstro, de suas armas convencionais, mas o capturasse sem feri-lo, revestido apenas de sua couraça e da pele do Leão de Neméia.

hercules02heracles07Hércules agarrou-se com Cérbero e, quase sufocado, o guardião do reino dos mortos perdeu as forças e aquietou-se.

Subindo com sua presa, dirigiu-se para Micenas.  Vendo Cérbero, Euristeu refugiou-se em uma talha de bronze.  Não sabendo o que fazer com o monstro infernal, Hércules o levou de volta a Hades.

A respeito da descida de Hércules ao Hades, sabe-se que esta configura o supremo rito iniciático: a morte simbólica, a condição indispensável para uma subida, uma escalada definitiva na busca do autoconhecimento, da transformação do que resta ao homem velho no homem novo.

A viagem subterrânea, durante a qual os encontros com os monstros míticos configuram as provações de um processo iniciático, era, na realidade, um reconhecimento de si mesmo, uma rejeição dos resíduos psíquicos inibidores, consoante a inscrição gravada no pórtico do templo de Delfos: Conhece-te a ti mesmo.

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O leão da Neméia

Herakles_und_LoeweNo Peloponeso, estrangulou o Leão de Neméia – filho dos monstros Ortro e Equidna – que devastava a região e cujos habitantes não conseguiam matar.

Era um monstro de pele invulnerável, que possuía irmãos célebres e terríveis: Cérbero, Hidra de Lerna, Quimera, Esfinge de Tebas. 

Criado pela deusa Hera ou à mesma emprestado pela deusa-lua “Selene”, para provar Hércules, o monstro passava parte do dia escondido num bosque. Quando deixava o esconderijo, o fazia para devastar toda a região, devorando-lhe os habitantes e os rebanhos. Entocado numa caverna, com duas saídas, era quase impossível aproximar-se dele.

O herói atacou-o a flechadas, mas em vão, pois o couro do leão era invulnerável.

Astutamente, fechando uma das saídas, o filho de Zeus o tontetou a golpes de clava e agarrando-o com seus braços possantes, o sufocou.

Acabada a luta, arranca a pele do animal com as suas próprias garras e ao cobrir os ombros com ela, passou a utilizá-la como vestuário.  Da cabeça do mesmo fez um capacete.  A pele, além da invulnerabilidade, possuía uma energia muito forte, simbolizando a combatividade vitoriosa do filho de Alcmena.

Diz-se que esta criatura se converteu na constelação de Leão.

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Os 12 trabalhos de Hércules

Após recuperar a sanidade, Hércules foi a Delfos consultar o oráculo de Apolo sobre o meio de se redimir desse crime e poder continuar com uma vida normal.

O oráculo ordenou-lhe que servisse, durante doze anos, o seu primo Euristeu, rei lendário de Micenas e de Tirinto.

Apresentando-se ao serviço, o rei, simpático a Juno (Hera), que não cessava de perseguir os filhos adulterinos de Júpiter (Zeus), impôs-lhe, com a oculta intenção de eliminá-lo, doze perigosíssimos trabalhos, das quais o herói saiu vitorioso.

Qualquer que seja a versão sobre a origem dos trabalhos de Hércules, sua razão básica está no conceito da necessidade de submeter-se ao rei Euristeu, que impõe as 12 tarefas, durante 12 anos, para ele alcançar a perfeição e a imortalidade. 

Os trabalhos de Hércules, no pensamento grego, é a constante reflexão segundo a qual todo herói deve purificar-se no sofrimento, até que sua alma se liberte de todas as paixões.  Simbolizam, fundamentalmente, o surgimento do mito heróico que todos os povos têm para indicar sua passagem do estado de barbárie para o de civilização. 

O herói afasta e remove os grandes obstáculos – apresentados como monstros – do caminho do progresso.

Durante a execução dos trabalhos, Hércules obteve todas as suas armas.  Ele mesmo confeccionou a maça com um tronco de oliveira, quando caçou o leão da Neméia.   A espada foi lhe dada por Hérmes.   Apolo deu-lhe o arco e as flechas.  Hefestos ofertou-lhe o peplo, túnica sem mangas, presa ao ombro por uma fivela. 

E os cavalos foram presente de Poseidon.  Quase todos os deuses contribuíram para auxiliar Hércules na realização de suas tarefas.