As aves do lago Estínfalo

Hércules e as aves do lago Estínfalo - peça do Louvre

Hércules e as aves do lago Estínfalo - peça do Louvre

Numa espessa e escura floresta, às margens do lago de Estinfalo, na Arcádia, viviam centenas de aves de porte gigantesco, cujas asas, cabeça e bico eram de ferro, que devoravam os frutos da terra, em toda aquela região.

Por seu enorme tamanho, interceptavam, no vôo, os raios do sol.

Eram antropófagas e liquidavam os passantes com suas penas aceradas, de que se serviam como de dardos mortíferos.

A dificuldade consistia em fazê-las sair de seus escuros abrigos na floresta.

Hefesto, a pedido de Atena, fabricou para o herói umas castanholas de bronze.  Com o barulho ensurdecedor desses instrumentos, as aves levantaram vôo e foram mortas com flechas envenenadas com o sangue da Hidra de Lerna.

Com suas flechas certeiras, símbolo da espiritualização, Hércules liquidou as aves. Como pântano, o lago reflete a estagnação. As aves que dele levantam vôo simbolizam o impulso de desejos múltiplos e perversos. Saídos do inconsciente, onde se haviam estagnado, põem-se a esvoaçar, e sua afetividade perversa acaba por ofuscar o espírito.

A vitória do filho de Alcmena é mais um triunfo sobre as trevas.

Hercules e as aves - Dürer

Hercules e as aves - Dürer

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