Calipso

A ilha de Ogígia, como quase todas as paragens oníricas da Odisséia, tem sido imaginada quer na região de Ceuta, na costa marroquina, em frente a Gibraltar, quer na Ilha da Madeira.

Apaixonada pelo herói, a deusa Calipso o reteve por dez anos. De seus amores teriam nascido dois filhos: Nausítoo e Nausínoo.

Calipso e Ulisses - Brueghel, o Velho

Por fim, penalizado com as saudades de Ulisses, Zeus atendeu às súplicas de Atena, a protetora inconteste e bússola do peregrino de Ítaca, e enviou Hermes à ninfa imortal, para que permitisse a partida do esposo de Penélope.

Calipso - Jordaens

Embora lamentasse sua imortalidade. pois desejava morrer de saudades de seu amado, Calipso pôs-lhe à disposição o material necessário para o fabrico de pequena embarcação.

No quinto dia, quando a Aurora de dedos cor-de-rosa começou a brincar de esconder no horizonte, Ulisses desfraldou as velas. Estamos novamente em pleno mar, guiados pela luz dos olhos garços de Atena.

Poseídon, no entanto, guardava no peito e na lembrança as injúrias feitas a seu filho, o ciclope Polifemo, e descarregou sua raiva e rancor sobre a frágil jangada do herói.

Assim, Poseídon reuniu as nuvens, empunhou o tridente e sacudiu o mar. Transformou todos os ventos em procelas e, envolvendo em nuvens a terra e o mar, fez descer a noite do céu.

Sobre uma prancha da jangada, mas segurando contra o peito um talismã precioso, o véu, que, em meio à borrasca, lhe emprestara Ino Leucotéia, o náufrago vagou três dias sobre a crista das ondas.

Lutou com todas as forças até que, nadando até a foz de um rio, conseguiu pisar terra firme.

Derreado de fadiga, recolheu-se a um bosque e Atena derramou-lhe sobre os olhos o doce sono. Havia chegado à ilha dos Feaces, uma como que ilha de sonhos, uma espécie de Atlântida de Platão.

MITOLOGIA GREGA

Figura1

A mitologia helênica é uma das mais geniais concepções que a humanidade produziu.

Os gregos, com sua fantasia, povoaram o céu e a terra, os mares e o mundo subterrâneo, de divindades.

Amantes da ordem, instauraram uma preciosa categoria intermediária para os semi-deuses e heróis. Grandes observadores, criaram novos nomes e figuras para os diferentes fenômenos da natureza. 

A mitologia grega apresenta-se como uma transposição da vida em ideais.   Superando o tempo, ela ainda se conserva com toda a serenidade, equilíbrio e alegria.  Prodigamente, alimentou a literatura e as artes através dos séculos. 

A cultura ocidental deve-lhe muito do espírito e do sentido, senão do próprio fato de existir.

A mitologia grega compreende o conjunto de mitos, lendas e entidades divinas e/ou fantásticas (deuses, semideuses e heróis) presentes na religião praticada na Grécia Antiga, criados e transmitidos originalmente por tradição oral, muitas vezes com o intuito de explicar fenômenos naturais, culturais ou religiosos – como os rituais – cuja explicação não era evidente.

As fontes remanescentes da mitologia grega ou são transcrições dessa oralidade, ou trabalhos literários feitos em tempos posteriores à criação dessa oralidade.

Os historiadores da mitologia grega têm, muitas vezes, de se basear em dados fragmentários, descontextualizados (fragmentos de obras literárias) ou através de indícios transmitidos na iconografia grega (os vasos) para tentarem reconstituir a riqueza narrativa e conceitual de uma das mitologias mundiais que mais interesse desperta.

Em suas várias lendas, histórias e cânticos, os deuses da antiga Grécia são descritos como quase humanos em aparência, porém imunes ao tempo e praticamente imunes a doenças e feridas, capazes de se tornarem invisíveis, de viajarem grandes distâncias quase que instantaneamente e de falarem através de seres humanos, sem o conhecimento destes.

Cada um dos deuses tem sua própria forma física, genealogia, interesses, personalidade e sua própria especialidade.

Quando esses deuses eram nomeados em poesias ou orações, eles se referiam à uma combinação de seus nomes e epítetos, distinguindo-os de outros deuses.

Atualmente, apenas o povo Kalasha, do Paquistão, mantém como religião viva o panteão grego.

Esse termo é de cunhagem grega e teve um sentido específico nessa cultura:

  • mythos, que no grego homérico, significa discurso ritualístico de um chefe, um poeta ou um sacerdote;
  • logos, que no grego clássico, significa uma história convincente, um argumento em ordem.

Originalmente, então, a mitologia é uma tentativa de trazer sentido às narrativas estilizadas que os gregos recitavam em festivais, sussurravam em locais sagrados e espalhavam em banquetes de aristocratas.

Os gregos acreditavam num panteão de deuses e deusas que eram associados a específicos aspectos da vida. Algumas deidades revelavam personalidades complexas e uma variedade de funções, enquanto outros como Hestia (lar) e Helios (sol) eram pouco mais que personificações.

Existiam também deidades de lugares específicos, como deuses de rios e ninfas de nascentes e cavernas.

Apesar de centenas de seres poderem ser considerados deuses ou heróis, alguns não representavam mais que folclore ou eram honrados somente em lugares e/ou festivais específicos.

Rituais de maior abrangência e os grandes templos eram dedicados, em sua maioria, a um seleto círculo de deuses, notadamente os doze do Olimpo. Estas deidades eram o foco central dos cultos pan-Helênicos.

Muitas regiões e vilas tinham seus próprios cultos à ninfas, deuses menores ou ainda a heróis e heroínas desconhecidos em outros lugares. A maioria das cidades adoravam os deuses maiores com rituais peculiares e tinham para estes lendas igualmente próprias.

Os gregos, com sua fantasia, povoaram o céu e a terra, os mares e o mundo subterrâneo de Divindades Principais e Secundárias. Amantes da ordem, instauraram uma precisa categoria intermediária para os Semideuses e Heróis.

Os gregos antigos adotavam o Politeísmo Antropomórfico, ou seja, vários deuses, todos com formas e atributos humanos.

Religião muito diversificada, acolhia entre seus fiéis desde os que alimentavam poucas esperanças em uma vida paradisíaca além túmulo, como os heróis de Homero, até os que, como Platão, acreditavam no julgamento após a morte, quando os justos seriam separados dos ímpios.

Abarcava assim entre seus fiéis desde a ingênua piedade dos camponeses até as requintadas especulações dos filósofos, e tanto comportava os excessos orgiásticos do culto de Dionísio, como a rigorosa ascese dos que buscavam a purificação.