MITOLOGIA GREGA

Figura1

A mitologia helênica é uma das mais geniais concepções que a humanidade produziu.

Os gregos, com sua fantasia, povoaram o céu e a terra, os mares e o mundo subterrâneo, de divindades.

Amantes da ordem, instauraram uma preciosa categoria intermediária para os semi-deuses e heróis. Grandes observadores, criaram novos nomes e figuras para os diferentes fenômenos da natureza. 

A mitologia grega apresenta-se como uma transposição da vida em ideais.   Superando o tempo, ela ainda se conserva com toda a serenidade, equilíbrio e alegria.  Prodigamente, alimentou a literatura e as artes através dos séculos. 

A cultura ocidental deve-lhe muito do espírito e do sentido, senão do próprio fato de existir.

A mitologia grega compreende o conjunto de mitos, lendas e entidades divinas e/ou fantásticas (deuses, semideuses e heróis) presentes na religião praticada na Grécia Antiga, criados e transmitidos originalmente por tradição oral, muitas vezes com o intuito de explicar fenômenos naturais, culturais ou religiosos – como os rituais – cuja explicação não era evidente.

As fontes remanescentes da mitologia grega ou são transcrições dessa oralidade, ou trabalhos literários feitos em tempos posteriores à criação dessa oralidade.

Os historiadores da mitologia grega têm, muitas vezes, de se basear em dados fragmentários, descontextualizados (fragmentos de obras literárias) ou através de indícios transmitidos na iconografia grega (os vasos) para tentarem reconstituir a riqueza narrativa e conceitual de uma das mitologias mundiais que mais interesse desperta.

Em suas várias lendas, histórias e cânticos, os deuses da antiga Grécia são descritos como quase humanos em aparência, porém imunes ao tempo e praticamente imunes a doenças e feridas, capazes de se tornarem invisíveis, de viajarem grandes distâncias quase que instantaneamente e de falarem através de seres humanos, sem o conhecimento destes.

Cada um dos deuses tem sua própria forma física, genealogia, interesses, personalidade e sua própria especialidade.

Quando esses deuses eram nomeados em poesias ou orações, eles se referiam à uma combinação de seus nomes e epítetos, distinguindo-os de outros deuses.

Atualmente, apenas o povo Kalasha, do Paquistão, mantém como religião viva o panteão grego.

Esse termo é de cunhagem grega e teve um sentido específico nessa cultura:

  • mythos, que no grego homérico, significa discurso ritualístico de um chefe, um poeta ou um sacerdote;
  • logos, que no grego clássico, significa uma história convincente, um argumento em ordem.

Originalmente, então, a mitologia é uma tentativa de trazer sentido às narrativas estilizadas que os gregos recitavam em festivais, sussurravam em locais sagrados e espalhavam em banquetes de aristocratas.

Os gregos acreditavam num panteão de deuses e deusas que eram associados a específicos aspectos da vida. Algumas deidades revelavam personalidades complexas e uma variedade de funções, enquanto outros como Hestia (lar) e Helios (sol) eram pouco mais que personificações.

Existiam também deidades de lugares específicos, como deuses de rios e ninfas de nascentes e cavernas.

Apesar de centenas de seres poderem ser considerados deuses ou heróis, alguns não representavam mais que folclore ou eram honrados somente em lugares e/ou festivais específicos.

Rituais de maior abrangência e os grandes templos eram dedicados, em sua maioria, a um seleto círculo de deuses, notadamente os doze do Olimpo. Estas deidades eram o foco central dos cultos pan-Helênicos.

Muitas regiões e vilas tinham seus próprios cultos à ninfas, deuses menores ou ainda a heróis e heroínas desconhecidos em outros lugares. A maioria das cidades adoravam os deuses maiores com rituais peculiares e tinham para estes lendas igualmente próprias.

Os gregos, com sua fantasia, povoaram o céu e a terra, os mares e o mundo subterrâneo de Divindades Principais e Secundárias. Amantes da ordem, instauraram uma precisa categoria intermediária para os Semideuses e Heróis.

Os gregos antigos adotavam o Politeísmo Antropomórfico, ou seja, vários deuses, todos com formas e atributos humanos.

Religião muito diversificada, acolhia entre seus fiéis desde os que alimentavam poucas esperanças em uma vida paradisíaca além túmulo, como os heróis de Homero, até os que, como Platão, acreditavam no julgamento após a morte, quando os justos seriam separados dos ímpios.

Abarcava assim entre seus fiéis desde a ingênua piedade dos camponeses até as requintadas especulações dos filósofos, e tanto comportava os excessos orgiásticos do culto de Dionísio, como a rigorosa ascese dos que buscavam a purificação.

Mitologia

Com a palavra mitologia, designam-se dois conceitos: o conjunto de mitos e lendas que um povo imaginou e o estudo dos mesmos.

A palavra vem do grego mythos, que significa fábula.

O conceito de fábula não nos deve induzir a crer que o mito seja uma ficção caprichosa da imaginação.  Dentro da narrativa mítica esconde-se um aspecto, um núcleo, que encerra uma verdade.  A fábula, pelo contrário, refere-se a acontecimentos realmente imaginados e que não modificam a condição humana como tal.

O mito relata uma estória verdadeira, na medida que toca, profundamente, o homem – ser mortal, organizado em sociedade, obrigado a trabalhar para viver, submetido a acontecimentos e imprevistos que independem de sua vontade. Os primeiros mitos brotam, pois, da projeção imaginativa que o homem faz das máximas funções da vida: nascimento, amor e morte; maternidade e paternidade; virgindade.  E sintetizam tudo o que o homem, mediante a inteligência e o sentimento, conseguiu conquistar, em face de uma vida que não solicitou, de uma morte que o amedronta, de um amor que o domina e de uma doença cujos fenômenos o assombram ou o aniquilam.

Presentes em todas as culturas, os Mitos situam-se entre a Razão e a Fé, mas são considerados sagrados. Os principais tipos de mito referem-se à origem dos deuses, do mundo e ao fim das coisas. Distinguem-se mitos que contam o nascimento dos deuses (Teogonia), mitos que contam a criação do mundo (Cosmogonia), mitos que explicam o destino do homem após a morte e outros.

Os mitos encarnam fenômenos fundamentais da vida: o amor, a morte, o tempo.  E certos fenômenos, como as florestas, as tempestades, têm sempre um mesmo valor simbólico, seja qual for a civilização considerada.

Em muitas mitologias, delineiam-se hierarquias de deuses, cada uma com um ou mais deuses supremos. A supremacia pode ser partilhada pelos membros de um casal, ou ser atribuída simultaneamente a dois ou três deuses distintos.