Os bois de Gerião

Gerião

Gerião

Gerião, neto de Medusa, era um gigante monstruoso de três cabeças, que se localizavam num corpo tríplice, até os quadris, com seis braços e seis asas.  

Seu imenso rebanho de bois vermelhos era guardado pelo pastor Eurítion e pelo monstruoso cão Ortro, de duas cabeças.

Por ordem de Euristeu, Hércules deveria se apossar do rebanho do gigante e trazê-lo até Micenas.

A primeira dificuldade era atravessar o oceano. Para isso tomou por empréstimo uma taça gigantesca, em que Hélio, o sol, todos os dias, à noitinha, após mergulhar nas entranhas do oceano, regressava a seu palácio.

A cessão da taça por parte de Hélio não foi, entretanto, espontânea. O herói já caminhava, havia longo tempo, pelo extenso deserto da Líbia, e os raios do sol eram tão quentes e o calor tão violento, que Hércules ameaçou varar o astro com suas flechas. Hélio, aterrorizado, emprestou-lhe sua taça.

Chegando à ilha de Eritia, defrontou-se com o cão Ortro, que foi morto a golpes de clava.

Em seguida, foi a vez do pastor Eurítion.

Gerião, posto a par do acontecimento, entrou em luta com o herói, mas foi liquidado a flechadas.

Terminadas as justas, embarcou o rebanho na taça do sol, e reiniciou a longa e penosa viagem de volta.

Para lembrar sua passagem, ergueu duas colunas, separando a Líbia da Europa, as chamadas Colunas de Hércules, isto é, o Rochedo de Gibraltar e o de Celta.

Finalmente, o herói, com todas as cabeças de gado, encaminhou-se para a Grécia. 

Mas ao tocar a margem helênica do Mar Jônio, o rebanho inteiro foi atacado por moscardos, enviados por Hera. Enlouquecidos, os animais se dispersaram pelos contrafortes das montanhas da Trácia. O herói os perseguiu e cercou por todos os lados, mas só conseguiu reunir uma parte. O rio Estrímon, que, por todos os meios, procurara dificultar essa penosa caçada ao rebanho disperso, foi amaldiçoado e é por isso que seu leito está coberto de rochedos, tornando-o impraticável à navegação.

Ao termo dessa acidentada peregrinação iniciática, o infatigável filho de Alcmena entregou ao rei de Micenas o que sobrara do rebanho, que foi sacrificado a Hera.

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O leão da Neméia

Herakles_und_LoeweNo Peloponeso, estrangulou o Leão de Neméia – filho dos monstros Ortro e Equidna – que devastava a região e cujos habitantes não conseguiam matar.

Era um monstro de pele invulnerável, que possuía irmãos célebres e terríveis: Cérbero, Hidra de Lerna, Quimera, Esfinge de Tebas. 

Criado pela deusa Hera ou à mesma emprestado pela deusa-lua “Selene”, para provar Hércules, o monstro passava parte do dia escondido num bosque. Quando deixava o esconderijo, o fazia para devastar toda a região, devorando-lhe os habitantes e os rebanhos. Entocado numa caverna, com duas saídas, era quase impossível aproximar-se dele.

O herói atacou-o a flechadas, mas em vão, pois o couro do leão era invulnerável.

Astutamente, fechando uma das saídas, o filho de Zeus o tontetou a golpes de clava e agarrando-o com seus braços possantes, o sufocou.

Acabada a luta, arranca a pele do animal com as suas próprias garras e ao cobrir os ombros com ela, passou a utilizá-la como vestuário.  Da cabeça do mesmo fez um capacete.  A pele, além da invulnerabilidade, possuía uma energia muito forte, simbolizando a combatividade vitoriosa do filho de Alcmena.

Diz-se que esta criatura se converteu na constelação de Leão.

Hercules_killing_the_Nemean_Lion